sábado, 31 de outubro de 2009

O Bichano fugiu. E agora?

A Banhista e o Cão Grifon - Lise à Beira do Sena
(Pierre-Auguste Renoir)

Os animais (refiro-me aos domésticos) são, para alguns donos, “pessoas” da família. E como tal são tratados.

Para outros donos são “coisas” muito fofinhas quando bebés, mas muito incómodas logo que crescem e os obrigam a cuidados que não pensaram ser forçados a ter e que não querem ter e não têm.

Do exagero destes dois extremos nem sempre é encontrado um ponto intermédio onde racionalmente se enquadrem os animais, sem prejuízo, como deve ser natural, dos legítimos e “humanos” direitos dos mesmos.

Quando um animal verdadeiramente se perde (não se tratando de abandono camuflado) nasce uma grande angústia nos donos, muito principalmente nas crianças mais pequenas.

E maior angústia e dificuldade de recuperação se verifica se o animal não tem uma coleira identificativa, com um contacto ou a inserção de um “chip” subcutâneo.

Iniciam-se, então, os contactos com os canis do município da morada e também dos municípios limítrofes, os passeios de carro pelas redondezas e a afixação de pequenos cartazes, com fotografias dos desaparecidos, apelando às pessoas que os possam ter visto.

O que normalmente se não vê são cartazes informando ter sido encontrado um animal com determinadas características.

Existe, contudo, um outro meio para divulgar o desaparecimento dos nossos bichanos: a internet!

É precisamente o objectivo deste escrito divulgar uma página electrónica onde pode tentar encontrar o seu animal:


Divulgação de Animais Perdidos em Portugal


Neste preciso instante, através desta página, há quase 5000 pessoas a nível nacional que recebem notificações de animais perdidos na sua região, podendo assim ajudar na localização dos animais. Se é dono de um animal tem todo interesse em disponibilizar a sua colaboração

““Encontra-me.org” é um recurso gratuito mantido pela “Associação Pelos Animais”, cujo objectivo é ajudar a reunir animais perdidos em Portugal com as respectivas famílias. Assenta numa base de dados centralizada de animais perdidos, bem como num sistema de notificações por correio electrónico. “Encontra-me.org” fornece também informações abrangentes para ajudar quem perdeu um animal ou quem encontrou um animal perdido.

Se acha esta informação útil, divulgue-a!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Praceta Camilo Pessanha

Camilo Pessanha

Camilo de Almeida Pessanha nasceu em Coimbra, na freguesia da Sé Nova, no dia 7 de Setembro de 1867. Filho de Francisco António de Almeida Pessanha (estudante de Direito) e de Maria do Espírito Santo Duarte Nunes Pereira (governanta de seu pai), viveu com os seus pais em Coimbra, nos Açores e em Lamego. Estas mudanças de residência deveram-se essencialmente às colocações ou transferências do pai como juiz.

Em Lamego no ano de 1878 termina a instrução primária, e em 1884 completa o curso liceal no Liceu Central de Coimbra, ingressando posteriormente na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Durante o período académico publicou poemas e outros escritos em revistas e jornais como “A Crítica” ou o “Novo Tempo”, embora tenha oferecido a maioria dos seus poemas.

A vida boémia que fez durante o seu percurso académico, em nada contribuiu para a melhoria da sua débil constituição física.

Em 1891 termina o curso de Direito e no ano seguinte ingressa na magistratura, ocupando o lugar de procurador régio de Mirandela. Dois anos mais tarde parte para Óbidos como advogado. Nesta cidade, aproxima-se de Alberto Osório de Castro, cuja irmã, Ana de Castro Osório desperta sentimentos amorosos no poeta, levando-o a pedi-la em casamento, no qual ela declina. O amor não correspondido terá levado Camilo a mudar o rumo da sua vida.

Camilo Pessanha

Em 1893 é aberto um concurso para Professores no Liceu de Macau. Camilo Pessanha apresenta-se como candidato e é nomeado como professor de Filosofia. Desempenhou outras funções em simultâneo com a docência, tendo sido advogado, conservador do registo predial e juiz substituto do tribunal da comarca.

Em Macau, adquire o gosto pelo coleccionismo de objectos raros e curiosidade pela língua e literatura chinesa. O contacto com a cultura chinesa fez com que escrevesse vários estudos e fizesse traduções de autores chineses.

As poucas viagens de Camilo a Lisboa tiveram como objectivo uma possível recuperação do seu estado de saúde, uma vez que, se encontrava viciado em ópio. Em 1916 recebe uma carta de Fernando Pessoa onde este manifestava admiração pela sua poesia, até então nunca editada, pedindo-lhe a publicação de alguns poemas na revista Orpheu.

A poesia de Camilo Pessanha foi uma grande influência para a geração de poetas modernistas, apesar de a sua obra só ter sido conhecida pelo público português essencialmente a partir de 1920, quando Pessanha decide ditar a maior parte da sua obra a João de Castro Osório. Este por sua vez, edita o volume “Clepsydra”, onde reúne poemas do autor.

Ao longo desta obra, são visíveis quatro grandes temas característicos do Simbolismo, tais como a dor, a solidão, a morte e a fuga para o nada.

“Clepsydra” (*) reúne poemas compostos por Pessanha ao longo de vários anos, muitas vezes declamados entre amigos e tão apreciados por figuras da literatura portuguesa como Eugénio de Andrade, José Régio, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro.

Camilo Pessanha foi o expoente máximo do simbolismo. Este movimento literário de origem francesa e com uma enorme influência de Verlaine, surge em finais do século XIX e está intrinsecamente ligado à noção de decadência e ao pessimismo próprio desta. O termo decadência encontra-se presente no pessimismo de Pessanha, na sua angústia e saudosismo. É uma corrente que reage contra o materialismo, procurando a espiritualidade, a imaginação e o ideal.

Camilo regressa a Macau e após o agravamento do estado de saúde, acaba por falecer vítima de tuberculose no dia 1 de Março de 1926, encontrando-se sepultado no cemitério de S. Miguel Arcanjo em Macau.


Texto transcrito de “Rede de Conhecimento das Bibliotecas Públicas

(*) Pode aceder ao texto integral de Clepsydra AQUI

Biografia sintetizada e poema



Estátua



quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Associação de pais: agir, já!

Na Urbanização de Vale Mourão localiza-se a “EB1 /JI Vale Mourão”, mais concretamente na Rua Natália Correia. Isto de siglas é por vezes muito complicado de usar, pois pode acontecer que alguém possa não saber o que significa e, mesmo podendo arriscar-me a que me chamem pretensioso traduzo: EB1 / JI = Ensino Básico 1º Ciclo / Jardim-de-infância.

Permitam-me que defenda o ensino público como aquele que permite uma interligação, aprendizagem e compreensão entre crianças de diferentes origens sociais e que, nessa medida, é extraordinariamente importante valorizar. É esta a escola que muitas das nossas crianças irão frequentar. E, felizmente, uma escola que, para as que residam na urbanização, dispensa a utilização de um transporte. Uma mais valia que se extingue após se ter terminado o 1º Ciclo.

Estaremos recordados que ainda há pouco tempo se encontrava colocado um pano nos gradeamentos da Escola onde se podia ler uma terminante recusa a que as crianças (que transitavam de ciclo) fossem colocadas numa outra determinada escola. Ter-se-à, também, realizado uma reunião de pais promovida pela respectiva Associação com objectivo de prover meios que impedissem essa não desejável colocação.

As crianças foram mesmo colocadas nessa escola e não mais tivemos conhecimento do assunto. Mas, o mais grave, é que poderá, de novo, vir a verificar-se no final deste ano lectivo a mesma situação, sem que a Associação de Pais delineie, desde já, uma estratégia para o impedir e para o qual deve pedir a colaboração dos pais.

Abramos aqui um parênteses para clarificar que não existe da minha parte a intenção de demonizar a escola para onde os finalistas do 1º ciclo poderão transitar. Esse facto é patenteado através da preocupação que estou a ter em não revelar o nome da escola. O que está em causa é a distância que terão que percorrer para lá chegar crianças de 10/11 anos.

Aqui podem pôr-se dois argumentos:

Primeiro argumento: No meu tempo andava 3 quilómetros para chegar à escola ou ia de eléctrico sozinho ou levantava-me ainda de noite…e não morri.

Segundo argumento: É disponibilizado um autocarro para transportar as crianças para a nova escola.

Sobre o primeiro argumento nem sequer me vou dar ao trabalho de responder.

Sobre o segundo, entendo que possa ser uma hipótese a considerar, mas que será sempre pior do que manter as crianças mais próximo das suas residências até, pelo menos, ao fim do segundo ciclo.

É pois imprescindível que a Associação de Pais não deixe para amanhã o que pode fazer hoje e não desista, se o fez, de lutar à primeira contrariedade ou derrota com que se depare. É necessário, como já referi, que a Associação de Pais delineie, desde já, acções para a resolução desta questão com a colaboração dos pais.

Sobre o papel das Associações de Pais, na minha perspectiva, como é óbvio, voltarei a falar.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Praceta Manuel da Fonseca

Manuel da Fonseca

Ver AQUI, neste mesmo Blogue, as referências feitas a Manuel da Fonseca.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Decisões importantes em Novembro?

Moradores da Urbanização
Câmara Municipal de Sintra
Urbanizadora Beirobra



As entidades acima referidas constituem um triângulo por onde pode passar a resolução de alguns dos problemas que ainda assolam a Urbanização.

“REALIDADE E SONHO” é o título aposto num caderno (reivindicativo?) entregue à Câmara Municipal de Sintra (17-07-2008) e que (ao que consta) contem uma listagem dos problemas existentes na Urbanização e dos melhoramentos que deveriam existir. Contudo, a maioria, se não a quase totalidade dos moradores, que não foi globalmente chamada a participar na sua elaboração, ignora o conteúdo desse caderno.

E de novo se patenteia a convicção de que a consciência cívica não brota espontaneamente, sem que se criem condições que permitam aos cidadãos exercer o dever (a obrigação) de participarem activamente no levantamento dos problemas que consideram ser prioritários e na defesa dos interesses comuns.

A informação critica e a mobilização responsável dos moradores é a verdadeira força que uma qualquer “vanguarda” tem que ter para que, além da força da razão, tenha também a força do apoio dos moradores.

Tal como já anteriormente foi afirmado considera-se que não é possível mobilizar-se toda uma população sem que se verifique um mínimo de intervenção junto da mesma, sem que se estabeleça o diálogo e sem que se não estimule a participação dos munícipes de forma a que sintam como “coisa” sua as reivindicações que outros façam em seu nome.

Falar com as entidades com capacidade decisória (dialogando ou mesmo reivindicando) sem que toda ou parte substancial da população esteja disponível para o confirmar, apoiar e sustentar convictamente, não passa, na maioria das vezes, de um exercício académico egocêntrico.

Inexplicavelmente, porém, às vezes as situações desenrolam-se sem intervenções exteriores evidentes, oficiais e oficiosas, mas com uns pequenos “empurrões” de uma meia dúzia de cidadãos anónimos ou quase.

Vem tudo isto a propósito do conhecimento que o “Blogue da Urbanização de Vale Mourão” teve de uma reunião (22-09-2009) entre Serviços do Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Sintra e a Firma Beirobra que motivou uma visita “in loco” no dia 28 do passado mês de Setembro com o objectivo de avaliar as situações relacionadas com a segurança de pessoas e bens que seriam consideradas prioritárias.

Também ficou acordado nessa reunião de 22 de Setembro de 2009 que se iria realizar uma nova reunião no decorrer do próximo mês de Novembro, para equacionar a situação da Urbanização que passará pela execução dos espaços públicos, alteração ao alvará e conclusão das obras de Urbanização. O atrás referido possibilitará a recepção ou o accionamento da garantia bancária (da Beirobra) para que o Município avance com a execução das obras em falta, que será o que (predizemos nós) virá a ser decidido.

A informação constante destes dois últimos parágrafos é, tanto quanto as nossas fontes o permitem afirmar, fidedigna.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Rua Oliva Guerra

Oliva Guerra

Oliva Correia de Almada Meneses Guerra nasceu em Sintra em 1898, e veio a falecer em 1982.

Foi poetisa, musicóloga, pianista, professora e cronista.

Foi presidente do Conselho Director do Instituto de Sintra que dinamizou as actividades culturais do Concelho de Sintra

Bibliografia

1922 – Espirituais
1926 – Encantamento
1928 – Ritmos
1930 – Evocações
1944 - Fonte Distante
1965 - Passos ao Longe
1975 - À Esquina do Tempo (Versos: 1922-1974)

Silêncio, Serenidade, Roteiro Lírico de Sintra fazem também parte da sua bibliografia mais conhecida.

Escreveu para o Diário de Lisboa e a revista Portugália.

A poetisa conviveu com outras personalidades sintrenses como a Condessa do Cadaval (Olga Cadaval), o compositor Viana da Mota e o poeta Nunes Claro.
A Câmara Municipal de Sintra homenageou-a em 1992 dando o seu nome a um Prémio Literário de poesia.

Oliva Guerra com suas alunas

O poema de Oliva Guerra, na Feteira da Condessa

Oliva Guerra escreveu sobre o Parque da Pena e um seu poema está gravado em mármore junto à ponte da Feteira da Condessa.


"PARQUE DA PENA RAMO SENHORIL
NO REGAÇO GRANÍTICO DA SERRA
EM TEU CONDÃO DE LÍRICA BELEZA
FICASTE NESTE MUNDO DE TRISTEZA
COMO UM SONHO DE AMOR PRIMAVERIL
- VERDE ESTROFE DE UM CANTO PANTEÍSTA
PARAÍSO QUE A ALMA NOS CONQUISTA
E QUE POR DOM DE DEUS DESCEU À TERRA!...
1957 OLIVA GUERRA"

domingo, 25 de outubro de 2009

H1N1 - É já amanhã!


Inicia-se amanhã a vacinação contra a Gripe A (ex-gripe Suína) – H1N1 – depois de os órgãos de comunicação social ocuparem espaço nos seus respectivos órgãos de informação a anunciarem a conta gotas a deslocação do camião que transportava as vacinas. Um autentico folhetim!

Também o Ministério da Saúde, através da Direcção Geral de Saúde divulgou (ver documento AQUI) e definiu os “Grupos alvo para vacinação por ordem de prioridades”. E à cabeça surgem os profissionais de saúde, entre os quais, subentende-se, os médicos e os enfermeiros.

Mas não é que muitos destes profissionais, pessoas alegadamente mais esclarecidas que a maioria das outras, têm dúvidas em ser vacinados, alegando, entre as mais diversas razões, que se não conhecem com segurança os eventuais efeitos secundários e que não sendo até à data esta Gripe A estatisticamente muitíssimo mais mortífera que a denominada Gripe Sazonal, os eventuais riscos da toma da vacina não justificam que se o faça.

Estes profissionais são mesmo uns desmancha-prazeres. Se o seu número aumenta corremos o risco de termos pago um produto destinado a ficar por aí perdido em qualquer armazém.

Preocupado o Ministério da Saúde avançou com sessões de esclarecimento/convencimento destinado aos profissionais mais renitentes. Amanhã já saberemos se estas “sabatinas” foram profícuas.



Tenhamos, contudo, consciência que este histerismo com a Gripe A tem contribuído positivamente para criar hábitos de higiene numa população que raras vezes lavava as mãos antes de comer, depois de defecar, depois de urinar, etc. Este hábito – lavar as mãos – que agora começa a ser inculcado nas crianças ao nível escolar, contribuirá para no futuro criar uma necessidade saudável que irá permanecer enquanto adultos contribuindo preventivamente para uma ainda melhor saúde no espaço Europeu.

Aqui ficam dois contributos para a criação deste hábito salutar:

Para adultos


Para crianças


sábado, 24 de outubro de 2009

Rua Teixeira de Pascoaes


Teixeira de Pascoaes

Teixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, (Amarante, 8 de Novembro de 1877 (*) — Gatão, 14 de Dezembro de 1952) foi poeta e escritor português e principal representante do Saudosismo.

X - Teixeira de Pascoaes

Vida

Nasceu no seio de uma família aristocrática de Amarante, o segundo filho (de sete) de João Pereira Teixeira de Vasconcelos, juiz e deputado às Cortes e de Carlota Guedes Monteiro. Foi uma criança solitária, introvertida e sensível, muito propenso à contemplação nostálgica da Natureza.

Em 1883, inicia os estudos primários em Amarante, e em 1887 ingressa no liceu da vila. Em 1895, muda-se para Coimbra onde termina os seus estudos secundários (em Amarante não foi bom aluno, tendo até reprovado em Português) e em 1896 inscreve-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Ao contrário da maioria dos seus camaradas, não faz parte da boémia coimbrã, e passa o seu tempo, monasticamente, no quarto, a ler, a escrever e a reflectir.

Licencia-se em 1901 e, renitentemente, estabelece-se como advogado, primeiro em Amarante e, a partir de 1906, no Porto. Em 1911, é nomeado juiz substituto em Amarante, cargo que exerce durante dois anos. Em 1913, com alívio, dá por terminada a sua carreira judicial. Sobre esta sua penosa experiência jurídica dirá: "Eu era um Dr. Joaquim na boca de toda a gente. Precisava de honrar o título. Entre o poeta natural e o bacharel à força, ia começar um duelo que durou dez anos, tanto como o cerco de Tróia e a formatura de João de Deus. Vivi dez anos, num escritório, a lidar com almas deste mundo, o mais deste mundo que é possível — eu que nascera para outras convivências."

Sendo um proprietário abastado, não tinha necessidade de exercer nenhuma profissão para o seu sustento, e passou a residir no solar de família em São João do Gatão, perto de Amarante, com a mãe e outros membros da sua família. Dedicava-se à gestão das propriedades, à incansável contemplação da natureza e da sua amada Serra do Marão, à leitura e sobretudo à escrita. Era um eremita, um místico natural e não raras vezes foi descrito como detentor de poderes sobrenaturais.

Apesar de ser um solitário, Gatão era local de peregrinação de inúmeros intelectuais e artistas, nacionais e estrangeiros, que o iam visitar frequentemente. No final da vida, seria amigo dos poetas Eugénio de Andrade e Mário Cesariny de Vasconcelos. Este último haveria de o eleger como poeta superior a Fernando Pessoa, chegando a ser o organizador da reedição de alguns dos textos de Pascoaes, bem como de uma antologia poética, nos anos 70 e 80.

Pascoaes morreu aos 75 anos, em Gatão, de bacilose pulmonar, alguns meses depois da morte da sua mãe, em 1952.

Obra

Com António Sérgio e Raul Proença foi um dos líderes do chamado movimento da "Renascença Portuguesa" e lançou em 1910 no Porto, juntamente com Leonardo Coimbra e Jaime Cortesão, a revista A Águia, principal órgão do movimento.


(*) Todas as fontes bibliográficas indicam 2 de Novembro de 1877 como a sua data de nascimento. Contudo, o assento de nascimento/baptismo refere indubitavelmente que ele nasceu às cinco horas da tarde de 8 de Novembro de 1877, em Amarante. Segundo Luísa Borges, em O Lugar de Pascoaes, Pascoaes terá adoptado 2 de Novembro, como data do seu aniversário, por razões puramente simbólicas, por ser o Dia dos Mortos, uma "porta" para o "Mais Além".

Texto transcrito de "Wikipédia, A Enciclopédia Livre"

Anjos e Fantasmas

Este livro reúne 29 desenhos de Teixeira de Pascoaes acompanhados de excertos de diversas obras do Poeta. Como diz António Mega Ferreira na nota final, “Os desenhos […] falam por si. Quero dizer que eles não aparecem aqui para ilustrar os textos; muitas vezes, nem têm com eles correspondência directa. Vivem pela verdade da sua existência, que é o que dá corpo, em palavras e imagens, aos anjos e fantasmas que povoaram a fantasia do Poeta.”



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A "culpa" é da Junta


Em 17 de Outubro, a propósito da rotunda recem construída junto do “Mini-Preço existente na Urbanização de Vale Mourão questionei, neste mesmo Blogue, (AQUI) se as opções viárias deveriam privilegiar os cruzamentos ou as rotundas.

Esta pergunta tinha como objectivo analisar a proibição de virar à esquerda aos veículos que saindo da “rotunda/ponte” sobre o IC19 se dirigiam para a Urbanização sendo obrigados a seguir em frente e, também a proibição de virar à esquerda para os veículos que saindo da Urbanização pela Rua José Gomes Ferreira se dirigiam para “Rio de Mouro Velho”

Desde essa data tenho constatado que um número bastante elevado de veículos continua a não respeitar nem os sinais verticais nem o traço contínuo.

Tenho para mim que a eliminação de cruzamentos constitui uma mais valia para o trânsito, obriga à diminuição de velocidades excessivas e, até na perspectiva da segurança, contribui para evitar acidentes.

Haverá moradores que não concordarão e que prosseguem com as transgressões numa atitude cívica incompreensível.

De registar que a existência desta “Rotunda em Vale Mourão” é politicamente assumida pela Junta de Freguesa de Rio de Mouro ao tornar público a páginas 8 do Boletim N.º 27 de Setembro de 2009 o seguinte texto:

Até aqui bastante problemático, sobretudo em horas de ponta, o cruzamento de Vale Mourão, que liga a Estrada de Rio de Mouro Velho ao Nó de Paiões do IC 19, foi transformado em rotunda, conforme solicitação desta Junta de Freguesia” (*)

Tudo leva a crer que será devido à construção desta Rotunda que, coerentemente, os técnicos de trânsito terão considerado irracional a existência de cruzamentos entre a mesma e a “rotunda/ponte” sobre o IC19.

Os cidadãos ao invés de desrespeitarem as normas vigentes têm neste caso concreto a oportunidade de se fazerem ouvir numa Assembleia de Freguesia aberta à intervenção do público e questionarem a oportunidade e a correcção técnica das medidas sugerindo, até, melhores. E se, mesmo assim, não forem atendidos, e se se continuarem a sentir injustiçados, devem intervir na Assembleia Municipal de Sintra logo que a mesma seja aberta à intervenção do público.

Por mim (e enquanto não encontrar uma proposta viária melhor) concordo com as alterações efectivadas.

(*) Os sublinhados são meus.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Rua António Botto


Anda vem...

Anda vem..., porque te negas,
Carne morena, toda perfume?
Porque te calas,
Porque esmoreces,
Boca vermelha --- rosa de lume?

Se a luz do dia
Te cobre de pejo,
Esperemos a noite presos num beijo.

Dá-me o infinito gozo
De contigo adormecer
Devagarinho, sentindo
O aroma e o calor
Da tua carne, meu amor!

E ouve, mancebo alado:
Entrega-te, sê contente!--- Nem todo o prazer
Tem vileza ou tem pecado!

Anda, vem!...
Dá-me o teu corpo
Em troca dos meus desejos...
Tenho saudades da vida!
Tenho sede dos teus beijos!



Poema de António Botto, musicado e cantado por Carlos Mendes


RESUMO

António Tomás Botto (Concavada, Abrantes, 17 de Agosto de 1897 — Rio de Janeiro, 16 de Março de 1959) foi um poeta português.

A sua obra mais conhecida, e também a mais polémica, é o livro de poesia Canções que, pelo seu carácter abertamente homossexual, causou grande agitação nos meios religiosamente conservadores da época. Foi amigo pessoal de Fernando Pessoa que traduziu em 1930 as suas Canções para inglês, e com quem colaborou numa Antologia de Poemas Portugueses Modernos. Homossexual assumido (apesar de ser casado com Carminda Silva), a sua obra reflecte muito da sua orientação sexual e no seu conjunto será, provavelmente, o mais distinto conjunto de poesia homo erótica de língua portuguesa. Morreu atropelado em 1959 no Brasil, para onde se tinha exilado para fugir às perseguições homófobas de que foi vítima, na mais dolorosa miséria. Os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério do Alto de São João, em Lisboa, em 1966.

Os primeiros anos

António Botto nasceu em Concavada, freguesia do concelho de Abrantes, Portugal, às 8h00, filho de Maria Pires Agudo e de Francisco Thomaz Botto. O seu pai trabalhava como "marítimo" no rio Tejo. Em 1908 a sua família mudou-se para o bairro de Alfama em Lisboa, onde cresceu no ambiente popular e típico desse bairro, que muito influenciou a sua obra. Recebeu pouca educação formal e trabalhou em livrarias, onde travou conhecimento com muitas das personalidades literárias da época, e foi funcionário público. Em 1924-25 trabalhou em Santo António do Zaire e Luanda, na então colónia de Angola.

Personalidade

António Botto tinha uma forte personalidade. Descrevem-no como magro, de estatura média, um dandy, de rosto oval, a boca muito pequena de lábios finos, os olhos amendoados, estranhos, inquisitivos e irónicos (de onde por vezes irrompia uma expressão perturbadoramente maliciosa) frequentemente ocultados sob um chapéu de abas largas.

Tinha um sentido de humor sardónico, incisivo, uma mente e língua perversos e irreverentes, e era um conversador brilhante e inteligente. Era amigo do seu amigo, mas ferozmente ruim se sentia que alguém antipatizava com ele ou não o tratava com a admiração incondicional que ele julgava merecer. Este seu feitio criou-lhe um grande número de inimigos. Alguns dos seus contemporâneos consideravam-no frívolo, mercurial, mundano, inculto, vingativo, mitómano, maldizente e, sobretudo, terrivelmente narcisista a ponto de ser megalómano.

Era visitante regular dos bairros boémios de Lisboa e das docas marítimas onde desfrutava a companhia dos marinheiros, tantas vezes tema da sua poesia. Apesar de ser sobretudo homossexual, António Botto foi casado até ao final da sua vida com Carminda Silva Rodrigues ("O casamento convém a todo homem belo e decadente", como escreveu).

Despedido

Em 9 de Novembro de 1942 António Botto foi demitido do seu emprego na função pública (escriturário de primeira-classe do Arquivo Geral de Identificação) por:

"a) ter desacatado uma ordem verbal de transferência dada pelo primeiro oficial investido ao tempo em funções de director, por impedimento do efectivo;

b) não manter na repartição a devida compostura e aprumo, dirigindo galanteios e frases de sentido equívoco a um seu colega, denunciando tendências condenadas pela moral social;

c) fazer versos e recitá-los durante as horas regulamentares do funcionamento da repartição, prejudicando assim não só o rendimento dos serviços mas a sua própria disciplina interna."

Ao ler o anúncio publicado no Diário do Governo, Botto ficou profundamente desmoralizado e comentou com ironia: "Sou o único homossexual reconhecido no País..."

Para se sustentar passou a escrever artigos, colunas e crítica literária em jornais, e publicou vários livros, entre os quais "Os Contos de António Botto" e "O Livro das Crianças", uma colecção de sucesso de contos para crianças (que seria oficialmente aprovada como leitura escolar na Irlanda, sob o título The Children’s Book, traduzido por Alice Lawrence Oram). Mas tudo isto se revelou insuficiente. A sua saúde deteriou-se devido a sífilis terciária que ele recusava tratar e o brilho da sua poesia começou a desvanecer-se. Era alvo de troça quando entrava nos cafés, livrarias e teatros. Por fim, cansou-se de viver em Portugal e em 1947 decidiu emigrar para o Brasil. Para juntar dinheiro para a viagem organizou, em Maio desse ano, recitais de poesia em Lisboa e no Porto, que resultaram em grandes sucessos, com elogios por parte de vários intelectuais e artistas, entre os quais Amália Rodrigues, João Villaret e o escritor Aquilino Ribeiro. A 17 de Agosto partiu finalmente para o Brasil com a sua mulher.

Últimos anos

No Brasil residiu em São Paulo até 1951 quando se mudou para a cidade do Rio de Janeiro. Sobreviveu escrevendo artigos e colunas em jornais Portugueses e Brasileiros, participando em programas de rádio e organizando récitas de poesia em teatros, associações, clubes e, por fim, botequins.

A sua vida foi-se degradando de dia para dia e acabou por viver na mais profunda miséria. A sua megalomania agravada pela sífilis era gritante e não parava de contar histórias delirantes das visitas que André Gide lhe teria feito em Lisboa ("Se não foi o Gide, então foi o Marcel Proust..."), de ser o maior poeta vivo e de ser o dono de São Paulo. Em 1954 pediu para ser repatriado, mas desistiu por falta de dinheiro para a viagem. Em 1956 ficou gravemente doente e foi hospitalizado por algum tempo.

Em 4 de Março de 1959, ao atravessar a Avenida Copacabana, no Rio de Janeiro, foi atropelado por um automóvel do governo. Cerca das 17h00 de 16 de Março de 1959, no Hospital da Beneficência Portuguesa, Botto, mal barbeado e pobremente vestido, expira, abraçado pela sua inconsolável mulher, que o chora perdidamente.

Em 1966 os seus restos mortais foram trasladados para Lisboa e, desde 11 de Novembro do mesmo ano, estão depositados no Cemitério do Alto de São João.

O seu espólio será enviado do Brasil pela sua viúva Carminda Rodrigues a um parente, que o doará, em 1989, à Biblioteca Nacional.

A obra poética

"A vasta obra poética de Botto, em parte ainda dispersa ou não-recoligida, apesar de e também pelo muito que ele publicou, republicou, reorganizou em volumes dispersos ou suprimia de volumes anteriores, etc., poderá repartir-se em quatro fases: a juvenil, em que continua o tom da quadra dita popular, conjugando-o com aspectos da dicção simbolista que poetas como Correia de Oliveira, Augusto Gil, e sobretudo Lopes Vieira haviam introduzido nela; a simbolistico-esteticista, em que a juvenilidade tradicionalizante se literaliza dos requebros esteticísticos que marcaram, nos anos 20, muita poesia simultaneamente da tradição saudosista e modernista (é a das primeiras edições das Canções e breves plaquetes seguintes, em que todavia a personalidade do poeta já figura inteira em diversos poemas); a fase pessoal e original, nos anos 30, desde as edições de 1930-32 das Canções (em que ele ia encorporando selecções de colectâneas anteriores) até a Vida Que Te Dei e Os Sonetos (fase que é também a dos seus excepcionais contos infantis que tiveram realmente as edições estrangeiras que se julgava ser uma das mentiras megalomaníacas do poeta, da «novela dramática» António, e da peça Alfama); e a última fase, nos anos 40 e 50, até à morte que é a de uma longa e triste decadência, com poemas desvairadamente oportunistas, revisões desastrosas afectando nas reedições alguns dos melhores poemas anteriores [...]" em Líricas Portuguesas, de Jorge de Sena.

A tempestade desencadeada por Canções e por "Sodoma Divinizada", bem como por outras obras e artigos que apareciam nas livrarias e jornais da época de que importa destacar "Decadência" de Judite Teixeira, foi tremenda, e a Federação Académica de Lisboa, tendo como porta-voz Pedro Teotónio Pereira, denuncia no jornal "A Época", em Fevereiro de 1923, a "vergonhosíssima desmoralização, que sob os mais repugnantes aspectos, alastra constantemente".

A Federação Académica de Lisboa estaria com grande probabilidade apenas a servir de face pública das vontades do poder instituído da época porque pouco depois, em Março, é ordenada pelo Governo Civil de Lisboa a apreensão dos já mencionados livros de Botto, Raul Leal e Judite Teixeira.

Fernando Pessoa e Álvaro de Campos protestam contra o ataque dos estudantes a Raul Leal: "Ó meninos: estudem, divirtam-se e calem-se. (...) Divirtam-se com mulheres, se gostam de mulheres; divirtam-se de outra maneira, se preferem outra. Tudo está certo, porque não passa do corpo de quem se diverte. Mas quanto ao resto, calem-se. Calem-se o mais silenciosamente possível". Mas com pouco efeito. O impulso censório, moralista, obscurantista e homofóbico, ganha força com o regime do Estado Novo e a revista "Ordem Nova" declara-se "antimoderna, antiliberal, antidemocrática, antibolchevista e antiburguesa; contra-revolucionária; reaccionária; católica, apostólica e romana; monárquica; intolerante e intransigente; insolidária com escritores, jornalistas e quaisquer profissionais das letras, das artes e da informação". António Botto acaba por se ver forçado a emigrar para o Brasil e Raul Leal será vitima de espancamentos e deixará de escrever para jornais durante 23 anos.


Texto transcrito de: "Wikipédia, a enciclopédia livre".
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