sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Praceta Camilo Pessanha

Camilo Pessanha

Camilo de Almeida Pessanha nasceu em Coimbra, na freguesia da Sé Nova, no dia 7 de Setembro de 1867. Filho de Francisco António de Almeida Pessanha (estudante de Direito) e de Maria do Espírito Santo Duarte Nunes Pereira (governanta de seu pai), viveu com os seus pais em Coimbra, nos Açores e em Lamego. Estas mudanças de residência deveram-se essencialmente às colocações ou transferências do pai como juiz.

Em Lamego no ano de 1878 termina a instrução primária, e em 1884 completa o curso liceal no Liceu Central de Coimbra, ingressando posteriormente na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Durante o período académico publicou poemas e outros escritos em revistas e jornais como “A Crítica” ou o “Novo Tempo”, embora tenha oferecido a maioria dos seus poemas.

A vida boémia que fez durante o seu percurso académico, em nada contribuiu para a melhoria da sua débil constituição física.

Em 1891 termina o curso de Direito e no ano seguinte ingressa na magistratura, ocupando o lugar de procurador régio de Mirandela. Dois anos mais tarde parte para Óbidos como advogado. Nesta cidade, aproxima-se de Alberto Osório de Castro, cuja irmã, Ana de Castro Osório desperta sentimentos amorosos no poeta, levando-o a pedi-la em casamento, no qual ela declina. O amor não correspondido terá levado Camilo a mudar o rumo da sua vida.

Camilo Pessanha

Em 1893 é aberto um concurso para Professores no Liceu de Macau. Camilo Pessanha apresenta-se como candidato e é nomeado como professor de Filosofia. Desempenhou outras funções em simultâneo com a docência, tendo sido advogado, conservador do registo predial e juiz substituto do tribunal da comarca.

Em Macau, adquire o gosto pelo coleccionismo de objectos raros e curiosidade pela língua e literatura chinesa. O contacto com a cultura chinesa fez com que escrevesse vários estudos e fizesse traduções de autores chineses.

As poucas viagens de Camilo a Lisboa tiveram como objectivo uma possível recuperação do seu estado de saúde, uma vez que, se encontrava viciado em ópio. Em 1916 recebe uma carta de Fernando Pessoa onde este manifestava admiração pela sua poesia, até então nunca editada, pedindo-lhe a publicação de alguns poemas na revista Orpheu.

A poesia de Camilo Pessanha foi uma grande influência para a geração de poetas modernistas, apesar de a sua obra só ter sido conhecida pelo público português essencialmente a partir de 1920, quando Pessanha decide ditar a maior parte da sua obra a João de Castro Osório. Este por sua vez, edita o volume “Clepsydra”, onde reúne poemas do autor.

Ao longo desta obra, são visíveis quatro grandes temas característicos do Simbolismo, tais como a dor, a solidão, a morte e a fuga para o nada.

“Clepsydra” (*) reúne poemas compostos por Pessanha ao longo de vários anos, muitas vezes declamados entre amigos e tão apreciados por figuras da literatura portuguesa como Eugénio de Andrade, José Régio, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro.

Camilo Pessanha foi o expoente máximo do simbolismo. Este movimento literário de origem francesa e com uma enorme influência de Verlaine, surge em finais do século XIX e está intrinsecamente ligado à noção de decadência e ao pessimismo próprio desta. O termo decadência encontra-se presente no pessimismo de Pessanha, na sua angústia e saudosismo. É uma corrente que reage contra o materialismo, procurando a espiritualidade, a imaginação e o ideal.

Camilo regressa a Macau e após o agravamento do estado de saúde, acaba por falecer vítima de tuberculose no dia 1 de Março de 1926, encontrando-se sepultado no cemitério de S. Miguel Arcanjo em Macau.


Texto transcrito de “Rede de Conhecimento das Bibliotecas Públicas

(*) Pode aceder ao texto integral de Clepsydra AQUI

Biografia sintetizada e poema



Estátua



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